Tecnologia

10 startups fundadas por brasileiros que não existiriam sem IA

Elas foram fundadas por brasileiros, são AI-native e estão resolvendo as dores em setores e áreas como jurídico, marketing, vendas, serviços financeiros, seguros, compras corporativas, varejo e infraestrutura tecnológica. Diferentemente de empresas que incorporam inteligência artificial a produtos já existentes, essas startups foram concebidas desde a origem para operar a partir da tecnologia. Nas empresas AI-native, a inteligência artificial não é uma ferramenta de apoio, mas a própria estrutura que sustenta o modelo de negócio. Sem ela, essas startups simplesmente não funcionariam.

Sem sistemas legados ou operações desenhadas para outra base tecnológica, as empresas AI-native conseguem entregar soluções que dificilmente seriam desenvolvidas por empresas tradicionais. Selecionamos dez startups que são exemplo dessa nova geração de empresas fundadas por brasileiros.

ADVOLVE
Setor: Marketing de performance.
Fundadores: João Sobreira, João Paulo Martins e Djary Veiga.
Origem: São Paulo, em 2023.
Aportes: Em 2025, recebeu US$ 5 milhões em rodada seed liderada pela Canary, com participação de Prosus Ventures, Valor Capital, Valutia e Scale Up Ventures. Em 2024, teve um aporte de US$ 1,5 milhão, liderada pela Valor Capital e Lanx Capital.
O que faz: A Advolve desenvolveu uma plataforma de inteligência artificial que automatiza toda a operação de marketing de performance, da criação de textos, imagens e vídeos à veiculação, passando pela realização de testes e pela redistribuição dos investimentos entre os anúncios com melhores resultados. A tecnologia é treinada com o histórico, os dados e as diretrizes de marca de cada cliente e aprende continuamente com o desempenho das campanhas.  Em novembro de 2025, a startup foi adquirida pelo iFood e passou a integrar a estratégia de expansão da vertical de publicidade da companhia, mantendo também o atendimento a empresas externas.

DGENNY
Área de atuação:
Procurement (compras corporativas).
Fundadores:
Rodrigo Rossoni e Igor Sempre Bom.
Origem: Florianópolis, em 2024.
Aporte: R$ 2 milhões da ABSeed, em 2026.
O que faz: A plataforma da DGenny automatiza o processo de compras e faz negociações B2B pelo WhatsApp usando agentes de IA. Ela busca e valida fornecedores, solicita cotações, conduz negociações simultâneas e compara preços, prazos e condições de pagamento para apoiar a decisão dos compradores. Voltada inicialmente à construção civil, a startup atende 30 construtoras de médio e grande porte e possui integração com sistemas de gestão como Sienge, TOTVS e Senior. O modelo de negócio funciona por assinatura, com cobrança relacionada ao volume de negociações realizadas.

ENTER
Setor: Jurídico.
Fundadores: Mateus Costa-Ribeiro, Michael Mac-Vicar e Henrique Vaz.
Origem: São Paulo, em 2023.
Aportes: Em 2025, recebeu um investimento de US$ 35 milhões em uma rodada Série A liderada por Founders Fund e Sequoia Capital. Um ano depois, em 2026, recebeu um novo aporte de US$ 100 milhões liderado pelo Founders Funds, com participação de Ribbit Capital, Sequoia Capital, ONEVC, Atlantico e Kaszek.
O que faz: A Enter desenvolve agentes de inteligência artificial para administrar o contencioso de grandes empresas. A plataforma lê processos e documentos, cruza evidências, identifica indícios de fraude, calcula passivos e auxilia na elaboração de defesas, posteriormente revisadas por advogados. A startup cobra por processo analisado, em vez de comercializar licenças de software, e atende clientes como Airbnb, Nubank e Latam Airlines. Em maio de 2026, tornou-se o primeiro unicórnio de IA da América Latina, avaliado em US$ 1,2 bilhão.

JOTA
Setor: Serviços financeiros.
Fundadores: Davi Holanda, Marcelo Leite, Oleg Balev e Thiago Guilhon.
Origem: São Paulo, em 2024.
Aporte: Recebeu US$ 8,9 milhões em 2025, em rodada seed liderada pela Maya Capital, com participação de HOF Capital, BigBets, Alter Global, Bogari Capital, Norte Ventures e investidores-anjo.
O que faz: A Jota transforma o WhatsApp em uma interface para serviços financeiros. Por meio de comandos de texto, áudio ou imagens, o usuário pode fazer Pix, pagar boletos, gerar cobranças, consultar saldos, conectar contas pelo Open Finance e receber análises sobre as finanças do negócio. A plataforma combina uma conta digital com um agente treinado para compreender e executar operações. Em seu primeiro ano de operação, alcançou 150 mil clientes, principalmente pequenas empresas e profissionais liberais, e movimentou R$ 2,2 bilhões. O serviço é gratuito para o usuário e o modelo de receita vem das transações financeiras e da oferta de produtos financeiros.

LEADS PER HOUR
Área:
Vendas B2B.
Fundadores: Ricardo Heidorn, Juliano Melchior e Bruno Brauns.
Origem: Blumenau, em 2024.
Aporte: Investimento da Bossa Invest, em 2025, valor não divulgado (Fonte: Crunchbase)
O que faz: A Leads Per Hour é uma plataforma de inteligência artificial voltada para automação de vendas B2B e geração de reuniões (Meeting Generation Platform), que utiliza agentes inteligentes para substituir o trabalho manual de pré-venda, encontrando clientes potenciais, qualificando-os e agendando reuniões diretamente na agenda da equipe de vendas. Além disso, a plataforma faz abordagens personalizadas, analisa as conversas dos vendedores e gera informações para o treinamento dos times comerciais.

MARITACA AI
Setores: Jurídico, Educação, Agronegócio, Serviços Corporativos e outros.
Fundador: Rodrigo Nogueira.
Origem: Campinas, em 2022.
Aportes: Em 2025, recebeu um investimento de valor não divulgado do Jusbrasil. No início da operação, a startup recebeu US$ 1 milhão em créditos de computação do Google, sem participação societária.
O que faz: A Maritaca AI desenvolve a família Sabiá, formada por modelos de linguagem especializados em português e no contexto brasileiro. As soluções podem ser acessadas por chat ou integradas aos sistemas de empresas por meio de API para analisar documentos, produzir e resumir textos, consultar informações e executar tarefas com ferramentas externas. Em 2026, lançou o Sabiá-4 e o Sabiazinho-4, com avanços em legislação brasileira, interpretação de contextos extensos e atuação como agentes. A empresa também trabalhou com o Jusbrasil no desenvolvimento do modelo utilizado pelo Jus IA, treinado a partir da base jurídica da plataforma.

NEURALMIND
Setores:
Jurídico, Financeiro, Atendimento ao Cliente e outros.
Fundadores: Patricia Tavares e Roberto Lotufo.
Origem:
Campinas, em 2017.
Aportes:
Duas rodadas seed, em 2020 e 2022, pelos investidores BoostLAB, Mergus Ventures e FUNDEPAR, em valor não divulgado (Fonte: Crunchbase)
O que faz:
Deeptech brasileira nascida na Unicamp. A NeuralMind desenvolve modelos de linguagem de grande escala (LLMs) e agentes de IA para buscar e interpretar informações, analisar documentos e automatizar fluxos de trabalho em áreas como jurídico, regulação, finanças e atendimento. Entre os projetos desenvolvidos estão a Inacia, criada para apoiar a análise de processos do Tribunal de Contas da União, e o L³M, modelo de linguagem especializado no sistema jurídico brasileiro desenvolvido em parceria com o Escavador. A empresa também possui trabalhos com organizações como Sebrae, ANS e CPFL.

SEGURA
Setor: Seguros.
Fundadores:
Luís Alberto Nogueira, Lucca Buffara e Pedro Nóbrega.
Origem: São Paulo, em 2024.
Aporte: Em 2026 recebeu R$ 45 milhões em rodada seed coliderada pela Andreessen Horowitz e Kaszek, com participação da Big Bets e investidores-anjo.
O que faz: A Segura desenvolve uma infraestrutura de inteligência artificial que conecta corretores e seguradoras. Integrada ao WhatsApp, a assistente Helena acessa informações sobre apólices, coberturas e cotações, acompanha renovações e ajuda os profissionais a administrar suas carteiras. Já a plataforma Conversas apoia o relacionamento com o cliente final e pode automatizar parte do atendimento. A solução é gratuita para os corretores, enquanto a startup é remunerada pelas seguradoras de acordo com o volume de vendas. .

TRINIO
Setores:
Varejo, e-commerce e operações omnichannel.
Fundadores: Theo Ribeiro e Pablo Staubli.
Origem: Rio de Janeiro, em 2022.
Aporte: R$ 32 milhões em rodada seed liderada pela Hi Ventures, em 2026
O que faz: A Trinio tem uma plataforma que conecta e automatiza etapas da operação de varejistas tanto em canais físicos como digitais. O TrinioOS reúne checkout, gestão de pedidos, estoque, logística e fulfillment em uma única plataforma, apoiada por agentes de inteligência artificial que ajudam a definir a melhor origem para cada pedido, reduzir custos e prazos de entrega e evitar cancelamentos no checkout. A startup atende mais de 50 clientes varejistas, entre eles Vivara, Osklen, Reserva, Asics, Casa & Video, Tania Bulhões, Polishop, Usaflex e Michael Kors.

WIDELABS

Setores: Público, Serviços Financeiros, Saúde, B2B.
Fundadores: Marcelo Chapper, Rodrigo Malossi e Nelson Leoni.
Origem: Porto Alegre, em 2020.
Aporte: US$ 1 milhão da Redpoint eventures em 2023 (Fonte: Crunchbase).
O que faz:
A WideLabs desenvolve e opera sistemas de inteligência artificial para empresas e governos, reunindo infraestrutura, modelos próprios e aplicações sob medida. Um de seus principais projetos é o Amazônia IA, ecossistema de modelos desenvolvido para o português e para demandas de soberania de dados. Entre os trabalhos realizados estão soluções para a Dataprev e o Ministério Público do Rio Grande do Sul, além de projetos com Raízen, Pfizer, Biogen, WPP, CPFL e Engeluz. Para a Dataprev, a startup participa da construção da nova Helô, assistente virtual do INSS que utiliza 13 modelos do ecossistema Amazônia IA.

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